"A avareza começa onde termina a pobreza." (Honoré de Balzac)
Nada define melhor a avareza do aquele par de meias que toda tia madrinha oferece no natal. Quanto mais rica for, pior será o presente, confirmado pela ABRINQ.
Avareza e pobreza não rimam no fluxo da vida. Moram em lugares distintos e é sabido que nem se conhecem. Seus irmãos siameses são a ganância e o egoísmo, não se separam nunca. Não conseguem viver um sem o outro.
O medo de perder o que possui e o desejo de reter para si aquilo que nem sequer precisa, caracterizam fielmente o avarento.
Muitas vezes, esse apego excessivo aos bens materiais, torna-se patológico, caso grave de distúrbio psiquiátrico, com poucas chances de cura e alto índice de hereditariedade. A boa notícia é que a avareza não é contagiosa. O avaro se recusa até a doar perdigotos infectados.
Outra coisa curiosa, é que a avareza está entre os mais inconfessáveis dos sete pecados capitais, só perdendo para inveja. Ninguém assume ser pão-duro, mesquinho, mão-de-vaca, unha-de-fome, sovina. Todos contribuem para alguma instituição carente e estendem a mão aos necessitados, pode perguntar.
Alguns afirmam que se tivessem dinheiro, se ganhassem na loteria, dividiriam seu prêmio com todos e ficam indignados por não receberem nenhuma contribuição daqueles que muito tem. Mas, basta girar a “roda da fortuna”, para notar que, de maneira inversa, o processo se repete.
Infelizmente, a avareza se revela na forma que mais lhe convém. Nem sempre é previsível. A sua manifestação mais cruel é feita através da retenção do amor, da negação em doar afeto. O avaro não gosta de dividir nada, prefere somar carências, acumular solidão... O medo de perder o impede de ter, de sentir, prevalece o vazio, a indiferença. O amor é generoso, amor egoísta não é amor, é paixão ou narcisismo.
Enquanto a generosidade divide seu pão, a avareza junta suas migalhas. Nisto consiste a miséria humana. Ninguém pode dar aquilo que não tem. Nem amor, nem pão.