sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

“Fé Demais”


Apesar de ter tanta gente conhecida por lá, ninguém quer ir para o inferno. Mas os terrenos no céu devem valer uma fortuna! Pelo menos é o que me disseram.

Quanto custa um tijolo pra construir nossa eterna morada? Tem gente por aí que sabe o preço e ainda cobra por isso.

Vamos ser generosos! Gritam. Generosidade consigo mesmo, claro. De quem paga, pois acredita comprar a sua própria casa e de quem recebe, que constrói sua mansão aqui mesmo, no mundo dos mortais.

E se eu pagar tudo direitinho e ainda assim for para o inferno? Lá deve ter casinhas populares a preços razoáveis, ou não?

Talvez tenha alguma promoção do tipo “pague uma e leve duas”, muito útil para quem tem sogra.

Seja lá como for, o fato é que fico indignada quando alguns, que se auto-intitulam “representantes de Deus”, exploram a miséria intelectual das pessoas de boa fé.

Aquele que se permite falar “em nome de Deus” deveria saber muito bem o que está dizendo, não é mesmo?

É triste quando fico sabendo, ou vejo pela TV, o “bazar celestial”. A fé é medida pelo montante de dinheiro doado. Deus te dará em dobro! Dizem. Mas Deus não liga muito pra dinheiro, penso eu.


Enquanto os fiéis doam o dízimo, alguns representantes da fé dizimam os salários dos fiéis... Dinheiro e religião não se misturam. Templo não é empresa (ao menos não deveria ser). E ninguém mais se preocupa em expulsar os vendilhões.

O interessante é que estas pessoas, as “generosas”, não se preocupam em saber para onde vai o dinheiro doado. Talvez não se importem com os outros. Afinal, já fizeram a sua parte, acreditam.

Desconfie de qualquer um que queira barganhar em nome de Deus. Peça para ver a procuração para falar em nome Dele, com firma reconhecida em cartório. Sem isso é estelionato. Pode perguntar.

Quer ajudar? Que bom! Há tantos necessitados. Vá e faça você mesmo. Deus ficará muito mais feliz, tenha fé.

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