quarta-feira, 24 de março de 2010

Os Sete Pecados Capitais - Avareza


"A avareza começa onde termina a pobreza." (Honoré de Balzac)


Nada define melhor a avareza do aquele par de meias que toda tia madrinha oferece no natal. Quanto mais rica for, pior será o presente, confirmado pela ABRINQ.

Avareza e pobreza não rimam no fluxo da vida. Moram em lugares distintos e é sabido que nem se conhecem. Seus irmãos siameses são a ganância e o egoísmo, não se separam nunca. Não conseguem viver um sem o outro.

O medo de perder o que possui e o desejo de reter para si aquilo que nem sequer precisa, caracterizam fielmente o avarento.

Muitas vezes, esse apego excessivo aos bens materiais, torna-se patológico, caso grave de distúrbio psiquiátrico, com poucas chances de cura e alto índice de hereditariedade. A boa notícia é que a avareza não é contagiosa. O avaro se recusa até a doar perdigotos infectados.

Outra coisa curiosa, é que a avareza está entre os mais inconfessáveis dos sete pecados capitais, só perdendo para inveja. Ninguém assume ser pão-duro, mesquinho, mão-de-vaca, unha-de-fome, sovina. Todos contribuem para alguma instituição carente e estendem a mão aos necessitados, pode perguntar.

Alguns afirmam que se tivessem dinheiro, se ganhassem na loteria, dividiriam seu prêmio com todos e ficam indignados por não receberem nenhuma contribuição daqueles que muito tem. Mas, basta girar a “roda da fortuna”, para notar que, de maneira inversa, o processo se repete.

Infelizmente, a avareza se revela na forma que mais lhe convém. Nem sempre é previsível. A sua manifestação mais cruel é feita através da retenção do amor, da negação em doar afeto. O avaro não gosta de dividir nada, prefere somar carências, acumular solidão... O medo de perder o impede de ter, de sentir, prevalece o vazio, a indiferença. O amor é generoso, amor egoísta não é amor, é paixão ou narcisismo.
 
Enquanto a generosidade divide seu pão, a avareza junta suas migalhas. Nisto consiste a miséria humana. Ninguém pode dar aquilo que não tem. Nem amor, nem pão.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Os Sete Pecados Capitais - Luxúria

"Há pecados tão agradáveis que, se os confessasse,
cometia o pecado do orgulho.”


Quero deixar claro, que eu não acredito em pecado. O conceito religioso do pecado é inconcebível no meu universo pessoal.

Não posso crer que uma criancinha, até que seja batizada, seja impura apenas por ter nascido. O pecado original é uma das ideias mais manipuladoras e criativas que o ser humano já foi capaz de inventar. Tão humanamente impensável, que o homem tratou de conceder um caráter divino, outorgando a Deus sua autoria.

Porém, eu credito em causa e efeito. Mas qual é a graça? Tudo tão racional, tão previsível... Já o pecado não, o pecado tem seu próprio charme. Tem sabor.

Muito me agrada falar sobre o tema. Gosto da sonoridade da palavra, principalmente quando é dita pausadamente: p.e.c.a.d.o... Faz com que eu me lembre das tentações, de tudo que é irresistível. A própria palavra já é um convite ao pecado. Curioso isso.

Dos sete pecados capitais, a luxúria lidera o ranking na lista da predileção popular. Ela é definida como um desejo desmedido de se obter prazer sensual, levando o sujeito a agir de forma passional e impensada. Parece bom, não?

Deixar que a paixão nos domine e imaginar que aquele que desejamos seja totalmente dominado por ela, é praticamente o paraiso.

Perversões à parte, considerar a luxúria um pecado ou é hipocrisia, ou é autopunição.

Sem a luxúria o homem jamais se preocuparia em cuidar da sua aparência, em progredir. A busca pelo sucesso seria infundada, identificada apenas em casos de demência.

A paixão, ou mesmo a avidez, é o que nos motiva. Sem a luxúria a vida não teria tanta graça. E nem tantas crianças. O homem fracassaria na tediosa tarefa de procriar. O pavão não mais exibiria seu leque sedutor e o leão perderia sua juba. Bobagem tanta culpa, a própria natureza nos redime. O milagre do pecado é o prazer.

terça-feira, 16 de março de 2010

Os sete pecados capitais - A gula


      A gula, segundo o nosso Aurélio, é o apego excessivo a boas iguarias.  Ou seja, aquele desejo insaciável de possuir, de consumir o objeto de prazer. 
        A gula compete, sem dúvida, com a luxúria entre os mais irresistíveis dos sete pecados capitais. Aliás, estão estreitamente ligadas, se complementam.
        Por causa de uma simples maçã, e de uma serpente ardilosa, carregamos o pecado da gula. Somos Adão e Eva sem paraíso e nem precisamos mais de serpentes. Nos dias de hoje, a tentação só permanece naquilo que não conseguimos alcançar.
        Há pouco tempo, quando o romantismo era a máscara da cobiça, mulheres e homens  utilizavam os prazeres da gula com o propósito de conquistar e prender o seu amor. Veja bem, tudo começava com o jantar.  O predador fartava a moça de boa comida e de bom vinho. Saciada, a presa estaria menos resistente ao abate. 
        Por outro lado, a mulher sempre que convidava seu pretendente para uma visita, o enchia de guloseimas tentadoras, era uma verdadeira orgia gastronômica.  E o rapaz, acreditando que iria ser sempre assim, se apressava em pedi-la em casamento. 
        Porém, após anos de convivência, a gula costuma se desvencilhar da luxúria, retomando sua essência pura.
        O vinho do jantar romântico ou a champanhe das comemorações deram lugar a engradados de cerveja, acompanhados de futebol, amigos e quilos de picanhas mal passadas. 
        A mulher, cheia de carências, devora caixas de chocolates enquanto reclama do marido. Depois, faz da balança o seu atroz juiz  e da celulite,  sua punição. Mulher nenhuma se culpa pelo seu tempo de Eva, apenas tem saudade.   
        A gula, mesmo fora de moda, está mais autêntica, fiel aos seus princípios e para tanto, oficializou o domingo como o dia da ressaca e da comilança. E o casal de gordinhos, de tão fartos que estão, esquecem até mesmo de pecar... 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O poder dos fracos

“Jamais seja arrogante com os humildes e nem humilde com os arrogantes”

Não há ser mais arrogante na galáxia do que o subchefe. O subchefe é uma espécie inútil que julga ser subdono, sendo que, na melhor das hipóteses, não passa de um subnada. Quanto maior a inépcia, maior a arrogância.

Pseudo-autoridades precisam testar seu poder. E para isto, nada melhor do que ter alguém humilde por perto. A certeza de que não serão confrontados os fazem mais fortes. Este tipo é covarde, recua na menor probabilidade de ver seu “poder” enfraquecido.

São egocêntricos, não conseguem trabalhar em equipe e estão tão preocupados em “deixar bem claro quem manda aqui!”, que acabam negligenciando tarefas rotineiras.

O famoso “você sabe com quem está falando?” traduz perfeitamente a falta de habilidade em resolver questões do dia-a-dia de uma forma tranquila e assertiva.

Pessoas com este perfil são temidas, mas não são respeitadas. E na maioria das vezes, são ridicularizadas pelas costas e alvo de piadinhas. Quando não é triste, é extremamente engraçado. E eu me divirto como posso.

O sujeito se torna gerente das Casas Piauí e já acha que é presidente da república. O cara é presidente da república e tem certeza que é Deus. É um inferno.

Alguns professores são mestres nesta categoria. Entretanto, o verdadeiro mestre é humilde. Tive a sorte de conhecer alguns e nenhum deles se banhava em purpurina.

O mestre é sábio. Não há a menor necessidade de provar nada. Quando ele fala, não precisa pedir silêncio. Quando ele pede, não precisa mandar. Quando ele chega, não precisa ser anunciado.

O poder dado aos fracos é a forma mais perigosa de insubordinação. Nenhum líder se fez no grito.

Precisamos assinar a carta de demissão de nossos “chefes”. E, humildemente, mandá-los à merda!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Entre pérolas e pedras

(Por que não pensei nisto antes?)


Foi uma surpresa chegar hoje na sala de aula e encontrar Igor Pucci, um rapaz tímido de 25 anos, contando um pouco da sua experiência como programador web.

Igor criou o site http://www.perolasdoorkut.com.br/, conseguindo transformar em lucro o que era apenas diversão.

O site reúne “pérolas” garimpadas em fotos e recados no Orkut. Lá poderemos encontrar pessoas que amam o canal "Discorvery Chenn", que são "egléticas", “entelequituais”, “enteligentes e capáses de resouver os póprios poblemas" e que sentem “enveja”. Tem até milionário exibindo seu "Ross Rossy" sob os olhos da torre "Enfo", em Paris. E outros, ainda mais estranhos, que colocam “pirsi na samprasellha”. Uma beleza!

Além de expor a pobreza intelectual do brasileiro na categoria “erros gramaticais”, o site tem fotos para não deixar dúvidas sobre a nossa mediocridade. Triste? Que nada! Eu adorei. É de chorar de rir!

Contudo, o que mais me impressionou não foi o fato do jovem conseguir viver com o lucro obtido com publicidade em seu blog, mas a reação que ele causou ao contar o montante de dinheiro que recebia mensalmente.

Óóóóóóóóh!!! Logo após, cochichos por todos os lados. Mas a confusão maior foi quando ele disse que trabalhava apenas 1 ou 2 horas por dia. Salvo raras exceções, o sentimento de inveja passou a ser de indignação. Só se acalmaram quando ele confessou que, com a crise, seu rendimento caiu quase pela metade. Foi um alívio para boa parte dos ouvintes.

“No Brasil, sucesso é ofensa pessoal”, disse Tom Jobim. Nada mais verdadeiro! Basta ver o alto número de leitores de revistas especializadas em fofocas de artista. Pior ainda é quando conhecemos o protagonista... Reparem, se o sujeito aparece com um carro novo, sempre tem um pra insinuar que ele anda metido em algo ilícito.

“Sortudo”, dizem eles. Mas a sorte nada mais é do que a sabedoria interna agindo em causa própria.

Igor foi pioneiro, criativo e teve visão. E o melhor é que ele deve rir muito enquanto trabalha, coisa proibida em qualquer ambiente em que se ganha o pão. Brincando de trabalhar, conseguiu o que tantos não conseguem se matando de trabalhar.

Provou, com humildade, que o mundo é dos criativos e não dos invejosos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

AMIGO

Ame verdadeiramente. Valorize quem te ama. Viva com mais poesia. Beije muito. Namore. Ouça Bach. Leia Drummond. Adote um cão. Ore. Agradeça. Aventure-se. Lute. Mude. Erre. Tente de novo. Dance. Viaje. Procure. Ria com gosto. Elogie. Chore se sentir vontade. Importe-se menos. Viva mais. Enfeite-se. Deseje loucamente. Arrisque-se. Tome chuva. Brinque. Seja generoso. Doe. Cuide dos velhos amigos e faça novas amizades. Experimente. Aprenda a dizer não. Faça Ioga. Medite. Trabalhe com prazer. Faça diferente. Relaxe. Seja tolerante. Observe a lua. Dê o primeiro passo. Olhe pra frente. Mostre seu valor. Tenha humildade. Distribua abraços. Faça arte. Use a imaginação. Seja grato aos seus pais. Ande descalço. Plante flores. ǝʇuǝʌuı sɐʌou sɐʌıʇɔǝdsɹǝd˙ Respire fundo. Sonhe acordado. Apaixone-se. Cuide-se.

E conte comigo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Um dia isto acontece


Pronto! Fiquei velha. Um dia isto tinha que acontecer.

Mal vi o tempo passar. Não que eu não o tivesse aproveitado, ao contrário. O tempo voou enquanto eu andava por aí, contemplando a vida.
Eu nem se quer havia me decidido sobre o que queria ser quando crescer e cá estou, com rugas gritando no canto da boca e escondendo cabelos brancos sob tintas negras. É triste, mas ainda assim sou eu e me reconheço no espelho. Não mudei a cor dos meus cabelos para aquele famoso loiro médio mijo, muito comum nas senhoras da minha idade e nem tampouco parei no tempo.

Estes dias me disseram que sou uma eterna adolescente, fiquei sem saber se era um insulto ou um elogio... Não tenho a menor vontade de voltar aos meus dezoito, só quem não bem viveu que acalenta este desejo. Eu não. Eu me orgulho dos anos que vivi e odiaria negá-los.

O problema de chegar aos quarenta anos é exclusivamente físico. Pele, bunda, barriga, celulite. Miopia, hipermetropia, fotofobia. Artrite, artrose, gastrite, cirrose. É a hora em que tentamos - a todo custo – recuperar os estragos do tempo em que a palavra “saúde” só era lembrada na hora do brinde.

Neste período, meu medo era de “crescer” e passar a acreditar nas bobagens que os adultos diziam. Achava tão chato ser adulto! Tão enfadonho!

Mas aqui estou, felizmente. Só não fica velho quem morre cedo. Melhor é viver. Para mim, viver sempre foi uma alegria. Conviver, nem tanto... Mas sobrevivi.

Nestes anos de biografia fui compondo minha cartilha e agora releio feliz as lições aprendidas.
É realmente maravilhoso ter quarenta anos. Veja bem, ainda que a beleza tenha se desbotado com o tempo, estamos muito menos preocupados com a opinião alheia.
Respeitamos bem mais aquilo que o outro pensa, mas ao mesmo tempo temos noção do que somos, sabemos o que não somos, e principalmente que podemos mudar, se assim nós quisermos. Ninguém mais tem o poder de nos fazer sentir humilhados por uma bobagem qualquer.

Outra evidência da maturidade é que somos infinitas vezes mais tolerantes com os fracos e igualmente intolerante com os arrogantes.

O desprezo passa a ser nossa vingança. Simplesmente apagamos de nossas vidas aqueles desprovidos de caráter. Não perdemos tempo com lamentações ou falatórios.

Aos quarenta, somos melhores companhias para nós mesmos do que aos vinte. Por esta razão, ficar em casa num sábado à noite não é mais uma tragédia e nem um prenúncio dos fins dos tempos.

Nossos relacionamentos são mais saudáveis. Achamos ridículo mentir, somos mais objetivos e mais claros em nossas intenções. E quando amamos verdadeiramente, nos entregamos por inteiro. Aos quarenta ninguém ama pela metade.

Oferecemos ao outro o amor em toda sua plenitude, mas respeitamos nossa individualidade. Aprendemos que quanto mais tentamos controlar a vida alheia, mais perdemos o controle da nossa.

Os amigos já foram peneirados pelo tempo. Percebemos que temos no máximo cinco amigos e não mais de cem como pensávamos. Reconhecemos naqueles que restaram a verdadeira lealdade. Há sempre um bocado de gratidão entre os velhos amigos, muito já foi trocado, e esta troca faz da amizade um foco de luz em nossos caminhos, nos faz mais fortes e seguros.
Nossos pais já não são mais nossos censores cruéis. Por vezes, até se orgulham da gente. E nós passamos a agradecê-los por cada dia vivido.

Fazer quarenta anos não é tão ruim quanto eu pensava. O mundo não acabou no ano dois mil e eu não passo o dia de chinelos resmungando pela casa.

Minha memória anda um tanto prejudicada, mas sempre me lembro daqueles que não me deixaram esquecer quem eu sou.

Ainda tenho em mim a paixão pela vida e a esperança de menina.

Pensando bem, eu não estou velha. É que nasci cedo demais. Eu sempre tive pressa de viver.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Quem tem medo da verdade?

“É agradável retribuir uma ofensa” Sêneca

Numa noite destas, assisti a um episódio de “House” em que o médico protagonista trata de um paciente que sofreu uma lesão cerebral. Esta lesão causava um bloqueio na sua capacidade de autocensura, privando-o de qualquer discrição. Ele dizia tudo aquilo que passava pela sua mente, sem nenhuma reprimenda. Deixando alguns constrangidos, outros irritados e alguns poucos, envaidecidos.

Sabe que, no fundo, senti uma certa inveja. Pensei no quanto sou refém da minha ‘boa educação’... Quanto é preciso fazer para que eu diga as verdades que certas pessoas merecem ouvir. Aguento, aguento, até detonar uma explosão verborrágica. Porém, para que isto aconteça, é bem provável que eu tenha ouvido todos os insultos possíveis ou que tenha sido alvo certeiro de alguma maldade.

Imaginei como seria se acontecesse comigo a mesma desordem que incidiu sobre o paciente do seriado. Ia ser divertido confessar alguns desejos e devolver os sapos que me fizeram engolir.

Não é difícil elaborar uma lista dos que seriam ‘contemplados’ por mim. Começaria pela família. Adoraria encontrar, neste estado de consciência, com alguns tios e primos dos quais não me orgulho. Sempre achei que seria bom dar uma podada na minha árvore genealógica.

Guardaria meu melhor surto para uma madre superiora que conheci ainda criança e que não me deixou saudade. Entre uma reza e outra, ela fez com que a minha fé vacilasse. Roubou a minha inocência, me mostrou cedo demais que Papai Noel só dá presentes para criancinhas ricas, as únicas que ela também valorizava. Eu me resignei. Nunca disse o quanto a desprezava e nem que sabia que seu casamento com Cristo não era um casamento por amor.

Perderia alguns minutinhos com um ex-namorado e outros tantos com um amigo que nunca soube o valor da amizade, só o preço.

Pronto! Já estaria curada destes males.

Porém, há aqueles que não merecem ou ao menos não merecem tanto assim. Pense numa festa. Seria uma crueldade:
_Gilda, seu cabelo está horrível!
_Nossa! Quanto tempo faz que você não toma banho?
_Achei linda a nova namorada do seu marido, você a conhece?
_Oi! Como está? Continua chato como sempre?
_Credo! Onde foi que você comprou este sapato?
_ Seu conselho foi bom, mas jamais irei segui-lo.
_ A comida é sempre ruim nesta casa?
_ Celminha, para de contar sobre a doença da sua mãe, não estrague a minha festa.
_ Marcelo, apesar da sua irritante mania de contar piadas, você continua lindo. Quero beijar você agora.
_ No meu apartamento ou no seu?
_ Tchau, até que enfim você vai embora!
_ Espero nunca mais te ver.

Pois é, a verdade raramente é fácil. Assim como a mentira, ela desperta a ira de quem a recebe. Repare bem, se você diz alguma verdade dolorida a uma pessoa, imediatamente ela começa a dizer mentiras sobre você. É lei.

E para o nosso desespero, onde há lei, há crimes. E onde há crimes, fatalmente tem um advogado por perto. E onde existem advogados, a mentira e a verdade se confundem. E nem precisa de lesão cerebral.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Feriado



Usei biquíni e nadei no rio. Senti a alma livre. Despertei. Catei poesias nos canteiros. Ouvi Bach. Dancei. Comi pizza de frigideira e mousse de limão. Fui tomar cerveja com os amigos. Tive dois acessos de risos, fiquei com vergonha, depois esqueci. Falei de amor. Sorri. Sonhei acordada. Deitei meus problemas na rede, adormecemos. Abracei amigos, vi a família unida, ganhei afagos dos sobrinhos. Dei banho no cachorro e ele molhou a casa toda. Escorreguei, o bichinho parece ter gostado. Falei palavrão.
Perfumei meu corpo com alfazema, usei vestido novo. Disseram que eu estava bonita. Li Guimarães Rosa. Escrevi um verso incompleto. Assisti, preguiçosa, à Sessão da tarde, dormi na metade. Faltou pipoca no armário, mas fiz bolinho de chuva. Não choveu. Recebi um e-mail esperado, escrito em italiano. Roubaram-me um beijo no portão.
Foi bom, não foi?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A Vida Com Mais Paixão

Quando apoiei os braços sobre a toalha de mesa e baixei meus olhos cansados, reparei pela primeira vez que nela havia pequenos lírios bordados em tons de amarelo; delicados, suaves, doces.


Lembrei que esta nunca foi a minha flor predileta, mas estava perfeita ali, tão discreta e tão bela que me apaixonei de imediato pelos lírios da toalha de algodão.

Deveríamos nos apaixonar pelas pequenas coisas, pensei. Por que não? E decidi passar o domingo todo procurando por novas paixões.

O dia não estava propriamente bonito, mas em compensação, a roupa no varal fazia uma curiosa dança com o vento, fiquei horas olhando. Veio a chuva. Nunca tinha ouvido a música que a chuva toca... É tão envolvente... Qual será o nome dela?

No almoço, eu e a salada criamos juntas um interessante quadro cubista. Fiquei fascinada. Picasso talvez gostasse... E entre um delírio e outro, arremessei uma gota de pimenta sobre o feijão. Excelente!

É impressionante como ao nosso lado há tanta coisa pra se apaixonar! É só olhar. Olhar e ver. Ver com os cinco sentidos. Ver com os olhos da alma.

Pode ser que haja algo de belo onde nossos pés pisam ou mesmo onde pousamos nossos cotovelos. Os olhos podem caminhar sem tanta pressa, como um turista atento, que contempla e se apaixona, encantado com a beleza ao seu redor.

É impossível não se apaixonar pela lua, estrelas, sol, sorriso de criança, os olhos de quem amamos, flor do campo, poesia de Drummond, música de Chico, Florença e colo de mãe. Tudo isto é inevitável. Mas não basta somente o óbvio! A vida tem muito mais.

De hoje em diante eu quero aquilo que se acanha, os detalhes tímidos do mundo. Quero me apaixonar pelo improvável. O improvável que acontece todo dia e a cada instante.
Isto sim é o máximo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

É Bom Ter Cuidado ao Comprar Tomates

Wander era um cara estranho. Mariana também, mas nenhum dos dois sabia. Enquanto ela lia Dostoievski, ele assistia ao Tiririca na TV e ria de dar dó. Ela fazia de conta que não via.


Wander não era um cara mau. Aos finais de semana arranhava um violão, mas se negava a tocar, caso não lhe implorassem. Devia fazer bem para o seu ego, sabe se lá.


Era funcionário público, e como tal, odiava prestar serviço ao público. Porém, estava satisfeito com o emprego. Dava-lhe segurança. Para Wander, segurança era tudo, embora ele não soubesse o que na verdade isto significasse.


Dizia que gostava de filosofia e, no entanto para ele, Sócrates era apenas o jogador de futebol, irmão do Raí. Também dizia gostar de poesia, mas não as lia. E quando lia, não entendia. Era um tipo comum; enfim.


Mariana era uma mulher diferente. Nem melhor, nem pior, mas diferente. Deveria ter lá seus 42 anos, ao menos era o que aparentava. Era alegre e, ao mesmo tempo, comedida. Retribuía sorrisos, mas não os dava caso não fosse antes contemplada.


Tinha suas manias, escondidas para que não lhe dessem rótulos. Gostava de plantas, de cachorros e de gente, mas estava fechada em seu mundo. Wander nem reparava.

Estavam casados há 12 anos. E ele pegou o costume de chamá-la de “infeliz”, mesmo bem antes de ela ser. Talvez fosse bom pra ele, não se sabe.


_ Ô Infeliz, pega uma cerveja pra mim! _ E a infeliz pegava. Estava acostumada, a pobre.


Quando ele bebia, ficava pior. Havia sempre um palito entre os dentes pra mascar, enquanto uma voz sinuosa comandava suas vontades. Queria tudo, mas não dava nada.


A infeliz estava sempre à postos, respondendo aos anseios dele. Acreditava que sem Wander o mundo estaria vazio e não haveria nada.


Um dia... Quem diria! Como de costume, Mariana foi à feira , sempre se preocupando com os tomates... Wander odiava quando eles estavam moles e repugnava-os quando verdes. Os tomates eram a razão da gastrite de Mariana. Toda terça-feira o mesmo estresse...


Mas neste dia, entre um examinar de um tomate e outro, Mariana recebeu uma ajuda:


_ Pegue os firmes. Não importa a cor. Feche os olhos, apenas sinta. Escolha pelo tato, pelo instinto, serão os melhores, garanto.


Ela sorriu, encabulada e agradecida. E levou para casa a melhor safra de tomate possível. Wander nem percebeu.


Contudo, Mariana não pode esquecer aquele contato. Ah, o homem dos tomates! E sonhava. Sonhava baixinho pra que Wander não ouvisse.


Na próxima terça, a feira não mais lhe parecia um mercado de sacrifícios. Era uma promessa. Olhava tudo como nunca antes havia visto, sentia os temperos, confundia os cheiros com os sabores, imaginava raízes. Tocava.


Quieto, como se a esperasse, Lúcio estava lá, com uma sacolinha de laranjas, completando as cores e justificando os sentidos.


E Mariana... Ah, Mariana! Mariana nunca mais quis comprar tomates...


Lúcio era infeliz. Mariana era a infeliz. E juntos riram da infelicidade. Riram tanto que a tragédia virou comédia e, inevitavelmente, romance.

Mariana hoje mora com Lúcio. Não frequentam mais feiras. Lúcio nem liga pra tomates e adora o glamour com que Mariana abre a caixinha de Pomarolla. Mariana capricha. Todo mundo acha o máximo. Estão felizes, firmes.

E o Wander? Coitadinho, não sei dizer, ninguém nunca mais ouviu falar dele.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O FIM DA BATATA FRITA




Cada dia que passa as pessoas se preocupam mais com a qualidade do que ingerem. Acho bonito isso. Frutas, legumes, verduras, yogurte, carne de soja e outras coisas ainda mais esquisitas e insossas são consumidas como se fossem o próprio Manjar dos Deuses. 

O adoçante virou um aliado, quase como um amuleto. Um salvador. Para muitos, a descoberta do chocolate diet equivale à descoberta da penicilina.

Há louco de todo tipo. Tem gente que até troca receitas de chuchu ao vapor. É sério, soube por fontes limpas.

Tenho que admitir que a mulher, normalmente, é a mais preocupada. Dizem até que quando a serpente tentou Eva, ela resistiu por muito tempo, cedendo somente quando a cobra garantiu que maçã emagrecia. Virou regra.


Mesmo as que ainda não adquiriram uma neurose, ou outra patologia anoréxica qualquer, ainda assim, são incapazes de se livrar da culpa. Após um prato de lasanha, a consciência pesada aumenta ao menos um quilo em qualquer balança.


Calorias, celulites e estrias são monstros atrozes. Inimigos cruéis do biquíni. Por isso não é aconselhável convidar uma gordinha para ir à praia com você. Ela, secretamente, irá implorar a São Pedro para que chova durante todo o feriado. 

A única vez que fiz dieta, fiquei tão insuportavelmente nervosa que nem eu mesma me aguentei. Nestes dois dias de nervosismo e ansiedade, quis acabar com tudo, principalmente com o que tinha na geladeira. Desisti.

Eu adoro batata frita, toda vez que saio pra tomar um chope com amigos peço uma porção. No entanto, sempre tem alguém que olha torto e sugere uma coisa mais leve, tipo um ‘peixinho’. Que peça o peixe! Mas eu não abro mão da batata! Se bem que, se for pensar, porções de torresmo também são excelentes com um chopinho...

Infelizmente, a rejeição ao torresmo chega a ser hedionda. Por um lado os fisiculturistas, por outro os vegetarianos, entre eles a turma do colesterol. Haja saúde pra aguentar tanto esmero!

Concordo com os vegetarianos. Morro de dó dos bichinhos, juro. Alguns estão fora de perigo comigo, o carneiro e coelho, por exemplo. São bonitos demais, parecem enfeites, não comida. 

Porém, acho uma crueldade reprimir uma pessoa de desfrutar das delícias quase pecaminosas que o simples cheiro de um bacon fritando é capaz de provocar. Impossível imaginar uma existência sem tal prazer.

Estou assustada. Vai chegar um dia em que o sujeito sai pra tomar uma cerveja e leva uma barra de cereais.

E nos fins dos tempos, que pelo visto está próximo, o chope será substituído pelo chá verde. Com acelgas em conserva para acompanhar. 

O ser humano se transformará numa raça esquálida e esverdeada. E a terra será dominada por vaquinhas e boizinhos, que serão nossos amigos.

Textículo

Eu quero alguém que encha a minha vida, não meu saco.

terça-feira, 31 de março de 2009

Reunião Só Funciona em Bar

“Quem come e bebe não conspira”
A empresa estava em pé de guerra. Intrigas, disputas, até ameaça saiu. Todo mundo se odiava. Um falava mal do outro e outro falava mal do um. Não sobrava ninguém.

Sueli, responsável pelo departamento de RH, propôs uma reunião. Convocou diretores, gerentes e secretários.

Paulo, gerente de produção, era bem apessoado, eloquente e exercia certa liderança, Sueli achou por bem pedir a ele que dissesse algumas palavras. Paulo endireitou a postura estufando o peito, limpou a garganta e fez seu discurso. Na verdade, um sermão. Precisamos nos unir, juntos seremos mais fortes, disse em tom eclesiástico. E encerrou com uma dinâmica de grupo aprendida em um curso em Porangaba, destas em que todo mundo se abraça no final. Foi um martírio para todos.

Sueli analisava-o. Considerava Paulo um tanto inexperiente para o cargo. Mas vale pela beleza, concluía.

Michelly, a contadora, olhava para o Paulo, despindo-o lentamente em pensamentos.

Jayme, sem milongas, já o imaginava nu. Calculava medidas, dimensões.

Carlos, fingindo fazer anotações, desenhava bolinhas em sua agenda.

Sr. Ribeiro, o diretor, julgava Paulo um incompetente. Vamos falir, pensava.

Dona Geni, a secretária sessentona, imaginava se ele traia a mulher.

Fausto olhava o relógio preocupado.

Reginaldo, subordinado de Paulo, lhe rogava praga. E Célia lixava as unhas.

Sueli tentou mais alguns recursos, mas não obteve sucesso.

Sr. Ribeiro achou por bem encerrar a reunião. Iremos analisar o assunto,estão dispensados, disse.

Michelly sugeriu um Happy Hour. Todos, menos dona Geni, aceitaram.

Sente-se aqui, disse Paulo a Reginaldo. Reginaldo, se sentindo valorizado, agradeceu.

Michelly pegou a cadeira central. Sr. Ribeiro ficou na cabeceira.

_Manda chope pra todo mundo, disse.

E o garçom trouxe chope, batatinhas, salaminhos... Todos bebem e comem. Estão felizes. Paulo conta uma piada, Michelly se mata de rir.

Carlos, já alterado, levanta e grita: Eu amo todos vocês!

Jayme, balançando as mãozinhas, declara: eu também, eu também!

A mulher de Fausto liga no seu celular. Ele desliga, que se dane, pensa.

Sueli confessa sua solidão, abraça Célia e Reginaldo, trazendo-os para perto do peito e chora emocionada.

Sr. Ribeiro, agora, Seu Riba, pede desculpas por algumas alterações de humor e com os olhos marejados declara que todos que estão ali são a sua verdadeira família.

Carlos meneou a cabeça, a empresa é a nossa vida, disse com a voz trêmula. Todos concordaram.

Ao final da noite, quem estava de carro ofereceu carona, os outros racharam um taxi.

No dia seguinte, o clima estava ótimo. Só Dona Geni continuava com aquela cara de fuinha amarrada. Estranhou o bom humor dos colegas. Só tem louco aqui, concluiu ela.

Mas... Antes mesmo do horário do almoço, Fausto, sem querer, deu um esbarrão em Jayme. Pediu desculpas e com uma risadinha sarcástica, falou:

_ Você ontem, heim, Jayme... Se revelou...

_Eu o quê? O quê?_ Disse nervoso, encarando o colega.

_Nem te conto...

Pronto! O mau humor se espalhou na velocidade da luz. E tudo voltou ao normal, para alívio de Dona Geni, que sempre detestou mudanças.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Três Histórias e Um Enredo

As três amigas tinham dezoito anos quando se conheceram. Fefê era a mais descolada das três. Fazia sucesso por onde quer que passasse. Era falante, cheia de amigos e fazia o estilo hippie-chique, só para criar polêmica. Detestava frescuras, maquiagens, salto alto e meninas fantasiadas de rosa.

Trabalhava em uma locadora de vídeos (ainda não havia o DVD) e sempre levava um pornôzinho para as amigas – ainda virgens - começarem a entender o que era sexo. Frequentava um bar em Pinheiros chamado “Rei das Batidas”, lá ela era conhecida por todos. Tinha mesa cativa e o garçom sempre a favorecia com doses extras do coquetel “sex on the beach”, o seu preferido.

Maria era a mais comportada delas. Moça boa do interior. Tímida, gostava de ler e escrever, usava roupas sóbrias e não falava palavrão. Era o recato em pessoa. Frequentava livrarias e saraus e tinha uma vida familiar bastante intensa.

Paullete era centrada. Fazia o contraponto entre as duas. Aprontava, mas era discreta. Apenas sua risada denunciava tudo. Exercia uma liderança, era o centro das atenções. Cursava o primeiro ano de psicologia e gostava de frequentar bares de hotéis, destes em que se tomam um bom whisky e encontram homens engravatados fumando charutos. Sempre que via um citava Freud: “Às vezes um charuto é só um charuto”, dizia ela com olhar de desdém.

Foram amigas por muitos anos. Cada uma no seu estilo, mas cúmplices em amizade e apoio. Porém, o tempo passou, afastando as amigas e o destino por elas sonhado.

Fefê, como era de se esperar, correu mundo. Foi morar no exterior, com o propósito de estudar astrologia.

Maria voltou pra sua pacata vidinha do interior.

Paullete desistiu da psicologia. Mudou para Macacos, uma cidadezinha ao pé da serra e lá, bem no seu inconsciente, passava as noites questionando se a serra tem mesmo “pé”.

Um dia, anos após, nestes descaminhos da vida, as três se encontram em uma clínica de recuperação.

Fefê desenvolveu uma estranha obsessão por coisas de cor rosa. Sapato, jaqueta, carro, tudo tinha que ser cor-de-rosa. Outro problema era a maquiagem. Não vivia sem.

Paullete após anos bebendo whisky com guaraná, abandonou o guaraná e se entregou, definitivamente, ao whisky. Puro. Cowboy. Do café da manhã até a azeitona do jantar.

Já a Maria, coitada, entediada com a vida em sua pequena cidadezinha passou a consumir, diariamente, pacotes e pacotes de Marlboro. A fumaça do cigarro a fazia lembrar da poluição de São Paulo, tempo em que fora feliz.

Flagradas em atos ilícitos, foram expulsas da clínica. Maria comprava cigarros no mercado negro, Paullete fabricava Whisky caseiro com as sobras dos cereais do café da manhã e Fefê traficava pó de arroz.

Sem saber o que fazer, lá estavam as três, novamente, recomeçando a vida. Fefê sugeriu mudar. Vamos pro mundo, fazer o que nos der na telha, viajar, disse ela. Maria hesitou, mas sorriu e Paullete gargalhou como só ela sabe fazer.

Para onde iremos? Perguntou Paullete. Para Paris, Cherry, para Paris, respondeu Fefê.

E foram. Fefê, hoje conhecida como Mme Mary Ky, inaugurou um cabaré. Paullete é freqüentadora assídua e, entre outras coisas, diverte os homens com suas loucuras etílicas. Maria casou-se com François, um poeta boêmio, dono de uma tabacaria.

Quer saber? Estão felizes como nunca!

P.s. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Como perder amigos, influenciar pessoas e ficar sozinho


Cansado de tanta gente ao seu lado? De ouvir o telefone tocar sem que você esteja esperando? De ser requisitado para festas desinteressantes? Está na hora de mudar de atitude! Eis aqui pequenos gestos, mas que muito significam. Tente alguns deles. Não desista. Confie em sua sagacidade:
  • Cutuque, cutuque bastante. Sobretudo se o sujeito não estiver interessado na conversa.

  • No cinema, balance a perna sem parar, chacoalhando toda a fileira.

  • Ao falar, cuspa. Lance seus perdigotos ao mundo.

  • Conversando com seu amigo, fale mal da mãe dele. Ressaltar qualidades não espirituais também funciona. Mas é desaconselhável usar o termo “gostosa”, se pretende manter sua integridade física.

  • Peça carona para a festa mais badalada do ano e fique implorando para que te levem embora.

  • Beba todas e, de preferência, vá embora antes de pagar a conta.

  • Peça dinheiro emprestado.
  • Peça para que ele seja seu fiador.

  • “Conte dinheiro na frente de pobre”, em todos os sentidos.

  • Quanto mais carente a pessoa estiver, mas você deve descrever os pormenores de suas aventuras amorosas.

  • Quando alguma coisa der errado, diga: Não falei? Eu sabia!

  • Mau humor é sucesso na certa.

  • Recite poemas intermináveis. Sugiro o “Navio Negreiro”, de Castro Alves

  • Fume muita maconha e fique balançando a cabeça e dizendo: Só...só....tô ligado...

  • Conte todos os detalhes da sua doença. Se estiver são, invente uma.

  • Obrigue o sujeito a concordar com as suas convicções religiosas.

  • Carência também ajuda. Se o cara estiver olhando pro lado, tranquilo, pensando na vida, pergunte: Eu te fiz alguma coisa?

  • Acompanhe seu amigo ao show do cantor predileto dele e cante mais alto que o artista.

  • Fale muito sobre si e evite prestar atenção quando ele fala dele mesmo.

  • Na mesa de um bar, fique tamborilando ininterruptamente. Não perca o ritmo.

  • Despreze todas as regras da boa educação. Com um palito de dentes, faça com que a pessoa seja o “alvo” daquela pequena recordação do jantar. Ameace-a.

  • Escatologias, em geral, funcionam que é uma beleza.

  • Descreva seu tratamento de canal.

  • Use a expressão “a nível de” para mostrar erudição. Serve para qualquer assunto.

  • Conte todas as gracinhas de seus filhos, mostre fotos. Muitas. Vale também para animais de estimação.

  • A fofoca é coisa preciosa para que o intuito seja bem sucedido. Espalhar um segredo é melhor ainda.

  • Quando sua amiga estiver com seu novo namorado, fique falando sobre a ex dele, se possível, elogie-a.

  • Caso não estejam prestando atenção em você, fale mais alto, grite. Obrigue o infeliz e todos os que estiverem por perto a te ouvirem. Afinal, esta será a última vez.

  • Tenha a certeza de que deixará a pessoa pior do que quando a encontrou, em caso de dúvida, permaneça ao seu lado. Grude. Acompanhe-a até o banheiro, ofereça ajuda.

Com estas dicas, espero que você consiga uns dias de sossego. Se desempenhar bem o papel, seus amigos – agora ex-amigos - poderão fazer uma vaquinha e comprar uma passagem pra você passar este restinho de vida em algum lugar distante. Preocupe-se apenas em conseguir dinheiro para a volta, caso tenha se esquecido de cutucar mais alguém. Boa sorte.

Agenda dos Prazeres

Este ano terei uma agenda dupla, já resolvi. Comprei uma do jeito que queria, pequena, com as fases da lua, espaço para compromissos, aniversários e telefones. Funcional, do tipo que cabe na bolsa e onde quer que eu esteja ela está por perto, me lembrando de que tenho dentista na quarta-feira. Estava satisfeita.

Dois dias depois, uma amiga me presenteia com uma agenda linda, enorme, daquelas que dá dó escrever qualquer coisa. Agenda Poética é o nome dela. Imagina só se é viável: no dia 15 de janeiro tem um verso de Vinícius, mas neste mesmo dia preciso comprar veneno para baratas. Tal anotação seria um desaforo sem tamanho ao poetinha.

Há tempos cultuo a insônia, alimento-a escrevendo todas as noites as obrigações para o dia seguinte. Isto me faz perder o sono. Quando meu compromisso envolve médicos, dentistas ou montantes de dinheiro, meu sono desaparece por completo.

Resolvi, então, ter uma agenda dupla. Ou melhor, duas agendas. Uma para as chatices da vida, outra para os prazeres.

No final da tarde, bem antes do pijama, anoto, em minha pequena agenda, tudo que preciso fazer no dia seguinte e esqueço. Quando vou para cama levo a outra agenda. Lá escrevo tudo que gostaria de fazer, coisas difíceis ou banais, mas sempre prazerosas. Não me importo se não posso cumpri-las. Planejá-las me basta.

Está lá:
Dia 11 – nadar na cachoeira, jantar fora
Dia 12 - beijar na boca, show do Chico
Dia 13 – sessão da tarde com pipoca
Dia 14 - escrever poemas e amar
Dia 15 - comprar um livro novo, ligar para os amigos

Nunca escrevo nada aos finais de semana. Nestes dias eu estou sempre viajando. Não passo um sábado ou um domingo na cidade em que moro. Na minha agenda secreta estou sempre pelo mundo.

Segunda-feira é o único dia em que escrevo algo que pode ser entendido como compromisso, apenas para deixar registrada a aventura do final de semana. Está lá: baixar as fotos do Louvre, lavar o tênis que usei em Brotas, limpar o carro das areias de Parati, organizar os postais de Florença, temperar os queijos de Minas... E por aí vai.

Meus dias já estão preenchidos até o final de dezembro, mas não me canso.

E quando a vida está difícil, os amigos distantes, o tempo curto e o dinheiro escasso, eu abro minha agenda clandestina e vejo que dia 12 o Chico Buarque estará cantando “Eu Te Amo” para mim, só para mim.

Esqueço qualquer aborrecimento. Suspiro aliviada e durmo tranquila, sonhando em versos e acalentos de paz.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A Humanidade Não Funciona

“A gente somos inúteis” (Ultraje a Rigor)

O homem é um ser inútil. Não é aproveitado na natureza, não serve pra nada, não presta.

Quebra a cadeia alimentar, apenas servindo de tira-gosto para seres ainda mais insignificantes: bactérias, vírus, células cancerígenas e, por fim, os vermes.

Já nasce chorando. Pelado, careca, sem dentes, com aquela cara de que ainda não está pronto. Passa meses e meses apenas dormindo, mamando, chorando e fazendo cocô. Quando muito, dá um sorrisinho para as tias velhas, que banguelas como ele, balbuciam alguma coisa imbecil.

Depois cresce. Cresce e chora. Tem ciúme da mãe, do pai, do irmãozinho mais novo, do mais velho e do colega que tira dez. Começa a competir e, daí para frente, não para mais.

Compete o tempo todo. Até o mais doce dos homens compete. No mundo há somente um espaço para no mínimo dois sujeitos, acredita ele.

Passa a vida competindo, compete até morrer. E quando morre, alguém continua a competir por ele. O caixão do infeliz tem que ser melhor do que o do amigo.

_Mogno ou cerejeira? Lápide de mármore, claro. Afinal, o que os Vieiras poderiam pensar?

Reparem se em todo planeta há uma criatura mais desnecessária do que o homem? É a mais desprezível das espécies, sem dúvida.

Tem uma existência medíocre. Necessita de terno, de gravata e de anel de formatura. Inventa coisas que não precisa e depois, por vontade própria, se torna escravo delas. Morre e mata por eletrodomésticos e máquinas de fazer preguiça, depois se entope de remédios pra curar a artrite, consequência de seu extremo sedentarismo.

É o único animal capaz de conceber o crediário. Adora um carnê. Sofre, mas adquire o mais novo modelo de qualquer trivialidade, sempre melhor ou maior do que a do seu vizinho, também medíocre como ele.


É o único ser que mata por vingança, por prazer. E é também o único que conhece o significado da sabedoria, mas não a usa senão para se sentir superior a qualquer outra criatura, mesmo que seja da sua própria espécie.

Tem fé, acredita que a alma é eterna. Talvez por isso dê mais valor à carne. A carne é finita, apodrece. É preciso urgência pra se amar a carne.

Acumula mais lixo do que prudência. Despeja as sobras das suas inutilidades no mar, no ar, no quintal do vizinho. Polui, destrói, faz guerra, mata e desmata.

Desperdiça o que pertence a todos. Apoderando-se da natureza. Lava o quintal todos os dias, milhões de litros d’água ralo abaixo. Limpa a casa pensando que purifica a alma. Acaba, apenas, por lavar as mãos.

Talvez a arte seja a única coisa que valha no homem. Mas nem todos a entendem...

É necessário que Deus remodele o barro e arrume outra costela. A humanidade deu errado. A raça humana é inviável e não funciona.

Somos Todos Filhos da Mãe



Se há coisa que ninguém entende é o fato de uma mulher não querer ter filhos. Não entendem e não perdoam.

É tão grande a incompreensão que já tive o desprazer de ouvir que jamais vou me realizar como mulher se não tiver filhos. Então ser mulher se resume, unicamente, ao fato de poder gerar outro ser? Ah, que bobagem! Poder eu posso, mas não quero e nem devo.

Antes de gerar um filho é necessário saber-se uma boa mãe, ter a certeza, ou ao menos a desconfiança, de que será capaz de desempenhar esta tarefa, que acredito ser, a mais difícil da vida.

É fundamental dar bons exemplos. Nunca beber além de uma taça de vinho e ainda assim, ficar risonha e rosada. Fumar, nem em sonho. Quanto aos jogos, está liberado o dominó, aos domingos. É imprescindível que uma mãe durma sempre antes das 23h e nunca acorde depois das 7h, que goste de cozinhar, lavar, passar, limpar remelas e trocar fraldas. Isto, claro, sem contar as insuportáveis apresentações de balé do final de ano.

Não. Não é por egoísmo que não quero crianças. E sim por amar demais, mesmo que em projeto, o suposto filho. Além do mais, meus irmãos já fizeram isso por mim, me dando sobrinhos adoráveis.

Uma mulher só deveria ser mãe após os sessenta anos, quando o seu maior problema já não é mais o rosa ou o vermelho do esmalte. Deveria ter mestrado, doutorado, ser PHD em vida. Saber a medida exata entre o excesso e a carência, mimar sem estragar. Mas o que vejo são crianças brincando com crianças. Seus filhos são as Barbies e os Kens, com certa dose de veracidade.

No mais das vezes, nem é preciso amor para gerá-los. Basta um encontro casual, uma camisinha furada e pronto! Nove meses depois vem o choro de arrependimento e inépcia.

Ser mãe não é para mim. O mundo não precisa de mais humanos. Precisa de poesia e meus poemas são meus filhos. E estes sim, para gerá-los, só com amor.

Ser mãe não é pra qualquer uma. É preciso ser uma mulher fora do comum pra poder ensinar uma pessoinha a ser gente. A maioria põe crianças no mundo para, mais cedo ou mais tarde, enriquecer os psicólogos.

Alguns casos deram certo. Maria, por exemplo. A mãe de Gandhi também deve ter se empenhado... Mas ainda assim, não puderam defender seus filhos dos outros filhos da mãe.

Minha mãe é uma mulher que acredita piamente no amor. Se o amor não transforma, nada mais no mundo resolve, diz ela. Talvez esta seja a minha real razão de não querer filhos. Perto dela serei sempre uma aprendiz despreparada e sem jeito. E quem a conhece, sabe que a tarefa, por melhor desempenhada, nem sempre é garantia de sucesso. Coração de filho é invariavelmente menor que o da mãe, o que só colabora pra deixar ainda mais estreita a humanidade.

Ah, mas eu não. Não quero deixar frutos, frutas ou sementes. Não tenho idade pra isso, nunca tive e nunca vou ter.

Definitivamente não quero filhos. Quero ser avó. Disto não abro mão. Darei um jeito.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Crise Conjugal

_Renato, eu preciso de muita paciência pra aguentar seu mau humor. Nada deixa você feliz, nada o satisfaz.
_Culpa sua. É você que me deixa nervoso.
_Era só o que me faltava! Como deixo você nervoso? Eu mal olho na sua cara...
_Tá vendo?
_Não.


Morreu o assunto. Um quase silêncio se instaurou. Tempos depois, Renato arrisca uma aproximação:


_Que barulho é este, Silvinha?
_É uma cigarra cantando.
_Música feia, né?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Proibido Olhar Para o Céu

Na principal rua da cidade, um cidadão olha para o céu. O que tem por lá? Uma árvore de folhas miúdas, um edifício alto, um passarinho solitário e o que mais? Nada vejo.

Seu Alberto chega pra espiar. Também não vê nada de diferente. Seu Manoel, da padaria, aparece, cheirando a bolo. A moça que vende cartões da Zona Azul, esbaforida pergunta ao rapaz que observa o céu:

_ Aconteceu alguma coisa?

Ainda não sei, responde ele (o que matou foi este “ainda”).

Alguém vai se jogar? Perguntou Dona Amélia.

Está pegando fogo? Parece que está saindo fumaça do nono andar, arriscou o menino de bicicleta. Onde? Onde? Ouve-se o coro dos curiosos.

Pára mais gente. Dona Amélia liga pra polícia. Parece que alguém vai se jogar, diz ela ao delegado.

O pessoal da imprensa chega imediatamente. Meia hora depois aparece a polícia. Não tinha ninguém disponível na delegacia... É sempre assim, disse Seu Manoel, com olhar de desdém. Se fosse pra mandar abaixar o som eles estavam aqui na hora, reclama baixinho a moça com cara de sono.

A confusão está armada. Todos falam e apontam para o céu. Um deles acredita que o prédio está torto:

_Repare bem, ele não está um pouco caído pra direita?
_Imagina, Seu Tenório... É feito de concreto, não entorta não.
_ Mas a terra é arenosa, não agüenta tanto peso.
_Será? Pode ser...

Afinal, o que está acontecendo aqui? Pergunta o policial cansado da lengalenga. Ninguém sabia, mas todos davam palpites ao mesmo tempo.

_Quem começou?

Seu Alberto aponta para o jovem que estava fumando um cigarro.

_Foi ele, foi ele quem começou. Quando eu cheguei, ele já estava aqui, olhando pro céu.

Foi você que começou toda esta confusão? Pergunta o policial ao rapaz. Eu não comecei confusão nenhuma, estava apenas olhando, acho bonito. Aquela nuvem não parece o mapa da Itália? Questiona, tranqüilo.

Ninguém vai se jogar? Interrompe Dona Amélia.

_Parece que não, Dona.

Ninguém perdoou. O cara é poeta e estava só admirando o céu... Perdoariam caso alguém morresse. Mas olhar para o céu à toa não pode. Ainda mais sendo poeta. “Deusôlivre”, disse Dona Amélia. E indignados, cada um voltou à sua vidinha de sempre.

Foi o assunto do mês.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Cronista e o Poeta

Se a crônica é um refresco para o leitor, acostumado com o amargo das notícias do jornal, é um refresco ainda mais doce para o poeta que se mete a ser cronista. O cronista escreve rindo, mesmo quando indignado. Raramente se envolve, é apenas um espectador. E o leitor julga unicamente o seu trabalho e não a sua alma. Já o poeta é o protagonista. Sofre e se emociona, como se cada verso fosse arrancado de seu peito com garras de aço, sem nenhuma piedade.

Se o cronista está triste, ele inventa estórias para fazer o dia ficar mais divertido. Não tem compromisso com nada, nem com a verdade. Não tem pretensões literárias e nem, tão pouco, filosóficas. Não precisa de inspirações mágicas e nem de palavras esculpidas. Escreve e pronto, na hora que ele bem entender.

Com a poesia é diferente. O poeta é escravo da poesia. É ela que procura o poeta, é ela que chama pelo autor. Nem adianta sentar diante de uma folha de papel e querer escrever. A poesia tem a hora dela, é manhosa, não aceita imposições.

O cronista é aquele que escreve crônicas. Óbvio e simples assim. Um ofício como outro qualquer, com profissionais talentosos ou não. Mas o poeta não é meramente aquele que escreve versos. O ato de fazer poesia não faz de uma pessoa um poeta. Não é apenas a arte de escrever palavrinhas rimadas.

Ser poeta é um estado de espírito, uma dádiva e uma cruz, condição congênita e sem cura. O poeta não somente faz poesia, mas vive a poesia. Tudo que é belo transborda sobre ele, inundando seus olhos. E tudo que machuca, fere profundamente. Assim, de forma crônica e aguda.

***

Uma vez me contaram que Carlos Drummond de Andrade encontrou com Luiz Fernando Veríssimo em um evento literário. Drummond, cheio de entusiasmo, elogiou as crônicas de Veríssimo, e o cronista, que era fã do poeta, respondeu:
_ Obrigado. Mas você escreve ótimas crônicas, Drummond.
_ Mas, mesmo assim, continuo a ser poeta.
Deste modo, os dois grandes escritores perderam as palavras e num abraço de cumplicidade, se despediram, com uma pontinha de pena e inveja um do outro.

Na Contramão do Mundo

Estudos comprovam que 10% da população é formada por notívagos. Isto é, pessoas que trocam o dia pela noite e seus organismos “funcionam” melhor no período noturno. Não é uma questão de opção. É a natureza do indivíduo. O sujeito tem uma gripe, fica quase morto pela manhã, a tarde consegue ousar alguns passos e a noite ressuscita. É incrível, mas acontece. Os notívagos pensam melhor à noite, tem mais energia para exercícios físicos, para o trabalho, para o amor. O sol começa a se pôr e o tudo fica mais claro para os notívagos.

Eu faço parte desta minoria. E fazer parte de qualquer minoria, como vocês sabem, não é fácil. A primeira coisa é aprender a lidar com o preconceito. Se acordarmos ao meio-dia, mesmo dormindo apenas quatro ou cinco horas por noite, somos taxados de dorminhocos. Ninguém quer saber a que horas você foi dormir, nem mesmo aquele que dorme doze horas por noite. Dormir pela manhã é que o crime.

“Deus ajuda quem cedo madruga”. Mais esta para nos fazer pecadores e não merecedores da graça divina!

O Jô Soares, por exemplo, pode. Famosos e milionários podem. É excêntrico, é chique. Eu, pobre mortal, ou melhor, pobre e mortal, não posso.

O que me resta? Adaptar-me. Afinal, o mundo não foi feito para gente como eu. Desde pequenina tenho que seguir um ritmo que não faz parte de mim. Sete anos, horário de início da aula? 7h da madrugada. Dormia na classe, claro. Os professores, por insensibilidade ou por pura vaidade, me puniam. E os colegas riam de mim como se eu fosse o ET da turma, um sofrimento que criança nenhuma merece.

Mamãe nos colocava cedo na cama. Apagava a luz. Eu esperava uns minutos e fugia para ler no banheiro. Ali, caso ela me pegasse, não poderia bronquear muito, afinal, necessidades de banheiro são sempre permitidas.

Adulta, a coisa complicou ainda mais. Nada de leituras no banheiro e muito menos sonecas em horário de trabalho. Era um martírio fazer relatórios financeiros antes do meio-dia. Meu tempo de gerente de RH foi ainda mais torturante:
_ Dona Cecília, faltei ontem porque minha mãe bebeu e bateu no meu pai. Fomos tudo pra delegacia. Quer ver o B.O?
Ou pior:
_ Truxe o atestado. Eu sofro dos nervos e passei mal ontem. Tive que fazer uns inxames. É que eu tenho o sistema nervoso, sabe?

Ninguém que foi dormir às 4h ou 5h da manhã pode olhar com empatia para alguém que “sofre dos nervos” às 9h da manhã, não é mesmo?
Notívagos que vivem em cidades pequenas sofrem ainda mais. Não existe nada que funcione 24h. Banco? Supermercado? Academia? Esquece. O mundo pára às 17h50min e descansa às 18h. Ad infinitum.

Quanto às profissões, o preconceito é ainda maior. Se alguém diz que trabalha à noite, se for homem e honesto é guarda noturno. Se for um desconhecido, é traficante. Mas se for mulher, coitada... Logo pensam na profissão mais antiga do mundo...

A verdade é que a vida é inadequada para os notívagos, mesmo que a ciência tenha nos isentado de qualquer anormalidade. Estamos na contramão do mundo. Ou mudamos, ou colidimos. E na maioria das vezes, somos atropelados. Sem direito a indenizações e, se bobear, ainda temos que pagar por isto. Que eu saiba, seguro nenhum cobre estes pequenos estragos.

Lembro-me de um namorado romântico que tive, que quando fizemos dois meses de namoro, ele me mandou uma cesta de café da manhã. O entregador tocou mil vezes a campainha e nada. Desistiu e deixou um bilhete na caixa de correio pedindo para eu entrar em contato com a floricultura. Só achei o bilhete no final da tarde, quando eu fui sair. Busquei a minha cesta de flores murchas e queijos esbranquiçados. Mal pude aproveitar o presente e tão pouco o namorado, ofendido pelo meu suposto descaso. Expliquei, e agradeci plagiando Chico Buarque: “O nosso amor é tão bom, o horário é que nunca combina...”.

Dispenso qualquer surpresa matutina. Mas ainda sonho receber uma “cesta de madrugada”, lotada de flores e aperitivos: amendoins, salaminhos, mussarela em cubinhos(e não fatias enroladas), ovinhos de codorna, cervejas geladas e um Engov para o dia seguinte. Casava na hora.

“Fé Demais”


Apesar de ter tanta gente conhecida por lá, ninguém quer ir para o inferno. Mas os terrenos no céu devem valer uma fortuna! Pelo menos é o que me disseram.

Quanto custa um tijolo pra construir nossa eterna morada? Tem gente por aí que sabe o preço e ainda cobra por isso.

Vamos ser generosos! Gritam. Generosidade consigo mesmo, claro. De quem paga, pois acredita comprar a sua própria casa e de quem recebe, que constrói sua mansão aqui mesmo, no mundo dos mortais.

E se eu pagar tudo direitinho e ainda assim for para o inferno? Lá deve ter casinhas populares a preços razoáveis, ou não?

Talvez tenha alguma promoção do tipo “pague uma e leve duas”, muito útil para quem tem sogra.

Seja lá como for, o fato é que fico indignada quando alguns, que se auto-intitulam “representantes de Deus”, exploram a miséria intelectual das pessoas de boa fé.

Aquele que se permite falar “em nome de Deus” deveria saber muito bem o que está dizendo, não é mesmo?

É triste quando fico sabendo, ou vejo pela TV, o “bazar celestial”. A fé é medida pelo montante de dinheiro doado. Deus te dará em dobro! Dizem. Mas Deus não liga muito pra dinheiro, penso eu.


Enquanto os fiéis doam o dízimo, alguns representantes da fé dizimam os salários dos fiéis... Dinheiro e religião não se misturam. Templo não é empresa (ao menos não deveria ser). E ninguém mais se preocupa em expulsar os vendilhões.

O interessante é que estas pessoas, as “generosas”, não se preocupam em saber para onde vai o dinheiro doado. Talvez não se importem com os outros. Afinal, já fizeram a sua parte, acreditam.

Desconfie de qualquer um que queira barganhar em nome de Deus. Peça para ver a procuração para falar em nome Dele, com firma reconhecida em cartório. Sem isso é estelionato. Pode perguntar.

Quer ajudar? Que bom! Há tantos necessitados. Vá e faça você mesmo. Deus ficará muito mais feliz, tenha fé.

Padre Também Ri


Acho o riso sagrado. Se há coisa de Deus, o riso é a primeira delas. No entanto, as pessoas acham que rir é falta de respeito ou criancice. Tem louco que acha até que rir é pecado. Eu não, eu rio disto tudo. E não rio sozinha.

Padre Ruy foi um grande homem. Era belo, calvo, alto e sua pele, de tão negra, brilhava. Eu achava lindo aquele homem tão diferente de mim, chamar minha mãe de mãe e meu pai de pai. Ele os admirava tanto que pediu para assim chamá-los. Ganhei de imediato um irmão; era a única a ter um irmão mais velho que os pais.

Além da bondade e humildade que marcavam seu caráter, seu senso de humor nunca deixava de acompanhá-lo. Ria de dar gosto!

Eu deveria ter lá os meus três anos de idade quando lhe perguntei:
_Padre, por que o senhor é azul? Ele, rindo muito, responde:
_Cada um tem uma cor, Pituquinha. Anjo que é assim, como você, branquinha.
_Ah, padre... E santo? Santo tem cor?
_ Santo tem, pode ser qualquer uma. Mas só a alma que conta.

Entendi. E juntos brincamos de colorir, usando todas as cores.

Uma vez, ganhei de presente um “saco de risadas”, aquela maquininha que, quando apertamos o botão, dá gargalhadas escandalosas. O padre ficou doido com o brinquedo, ria mais alto que ele. Então, já tarde da noite, pegou o telefone e começou a passar trotes para seus paroquianos. Quando a pessoa atendia, ele apertava o botão perto do fone e, ele e o brinquedo, gargalhavam juntos ouvindo os piores xingamentos. Passou horas assim, até chorar de tanto rir.

Outra ocasião impossível de esquecer foi quando ele recebeu, em sua igreja, um colega português, também padre. Minha mãe tratou de preparar um almoço caprichado para depois da missa. Padre Ruy, animado com o banquete cantou: “ Você quer ingá, ingá tá aí. Você quer jiló? Jiló tá aí...”. Mas nem ingá e nem jiló faziam parte do cardápio. O prato principal era cuscuz. O padre português adorou. Comeu, repetiu e perguntou à minha mãe:
_Lygia, qual é o nome deste prato? Está divino!
_É cuscuz, padre.
O padre ficou em silêncio, pensou, depois respondeu baixinho:
_Nossa! Na minha terra, esta palavra no singular, é um nome feio...
Minha mãe, constrangida, responde:
_ Aqui também, padre...

Bastava o desconforto do diálogo pra se encerrar logo o assunto. Mas padre Ruy não se conteve. Colocou a mão na boca e soltou uma gargalhada abafada. Teve que sair da mesa de tanto que ria. Quando voltava à mesa, olhava pro cuscuz e disparava a rir de novo. Eu, ainda criança, tive orgulho do meu “irmão” e ri também.

Tão grande era seu coração, que o mesmo falhou. Hoje, Padre Ruy deve estar lá no céu, rindo com os anjinhos. Mas creio que não passa mais trotes.

A Caixa da Verdade

Num desses aplicativos do Orkut, em que se pode deixar suas opiniões anonimamente sobre uma pessoa, mesmo para aquelas que não conhecemos, vejo um feinho com cara de simpático e mando essa:

_Você tá bonito!
_Quem é?
_A Silvia.
_Que Silvia?
_A Silvia, pô!
_Silvia de quê?
_A Silvia, da lanchonete!
_Que lanchonete?
_Tá zoando, Gelson?
_A lanchonete da esquina, oras...
_Mas que dia que eu fui aí?
_ Eu que vou saber, Gelson!
_Que idade você tem?
_Endoidou?
_Por quê?
_Ué... Perguntando minha idade. Até parece que vc não sabe!

Um silêncio profundo.

_Ah! Você é irmã do Rogério?
_Lógico! Quem você pensou que era?
Outro silêncio e o tal de Gelson diz:
_Você achou mesmo que estou bonito?
_Claro, Ge...
_Onde você me viu?
_Na lanchonete...
_Ah...
_Sempre gostei de você...
_ Mas eu nunca reparei...
_Sou tímida, Gelson
_ Posso passar aí amanhã? Tô querendo mesmo ver o Rogério...
_Vem. Te espero às 19h
_Ok. Beijos, linda!
_Beijos, querido...

Horas depois ainda provoco:

_ Fiquei sabendo que a Silvia tá gostando de você...
_ Quem é? Que Silvia? A irmã do Rogério?

Hum...Esta Silvia vai entrar bem amanhã.

Dona Gerundina

Dona Gerundina era minha professora. Penso que professores são como atores ou políticos, profissões em que se usam a oralidade para satisfazer egos insuflados. Exceções à parte, alguns são boderlines, outros são histriônicos mesmo. Mas dona Gerundina era única. Sem classificação. Não que fosse totalmente desclassificada, mas era sem precedentes.

Baixinha, gordinha, mal cabia dentro do orgulho que carregava. Que fardo!

Era economista, mas sonhava em ser atriz. Faltava-lhe talento para qualquer uma das duas profissões e frustrada ensinava o que não sabia A sala de aula era seu palco. O único que lhe suportava. E nós, alunos, expectadores de um drama com conteúdo impróprio para maiores de 12 anos.

Não sei como conseguiu ser professora universitária. Talvez fosse prima do diretor, talvez sua amante. Não sei. Sei apenas que era segredo.

Às vezes, eu me divertia em suas aulas, ria mesmo. Não que ela fosse engraçada, dona Gerundina estava sempre mal humorada, mas era curioso assistir tamanha empáfia se espremendo num cérebro tão curto. Andava de um lado para o outro da sala, sempre no salto alto, mesmo descalça. Quando sentava sobre a mesa, para melhor encarar os alunos, gerava uma tensão em todos, a mesa se curvava com o seu peso, dando a impressão de que viria abaixo. Coisa, que confesso, seria ainda mais divertido.

Adorava gerúndios - daí seu apelido carinhoso – e os usava sem economia, achava chique.

A danada era exigente. Corrigia as provas sem pena. Mudava as ordens das frases, acrescentava palavras e deixava recados do tipo: Precisa estar estudando mais!

Era péssima, mas não sabia. Ninguém avisou a pobrezinha que espanador não é pavão.
Aluno, se não for resignado, repete de ano. Ai de quem se metesse com dona Gerundina!
Ontem, ela se superou. E eu, por pouco, não regredi:
_Vocês vão estar concluindo o trabalho e deverão estar entregando pra mim corrigir até sexta-feira.
Diante de tamanha heresia ao português, ironizei:
_Professora, não entendi...

Ela me olhou de um jeito, que juro que pensava: você é burra mesmo! Mas se conteve e me respondeu com todos os verbos e olhares de superioridade que ela conhecia.

Agradeci a tão empolada explicação e fui-me embora, levando meu olhar, seco de verbos e esperanças.

As Máquinas Que Aproximam o Amor


Dizem que estresse não se tem em um só dia e sim que é um acúmulo de pequenos aborrecimentos ao longo do tempo. Pode ser. Talvez não tenha notado os outros, justamente pelo fato de serem pequenos. A realidade é que vivo, atualmente, uma paixão arrebatadora e isso, apesar de fazer com que o coração fique bobo e a alma mais leve, gera um certo nível de ansiedade. Porém, se este amor está distante e o nosso maior instrumento de comunicação é cortado, a ansiedade natural passa a ser stress.

Oitocentos quilômetros nos separam e minha vida amorosa está intimamente ligada e dependente da internet. MSN, Orkut, e-mail, webcam, nos aproximam e amenizam a saudade. Quem tem amor distante, nos dias de hoje, sabe do que estou falando...

Acho tudo isso esquisito. Mas procuro aproveitar o que a tecnologia pode me oferecer, mesmo nos assuntos em que ela, teoricamente, não poderia se meter.

Estou eu, com meu amor, no MSN trocando juras e saudades e cai a conexão... Deixo-o com uma frase capciosa interrompida involuntariamente. Faço o que posso, o que sei e nada, é só uma máquina, morta agora. Tento algum contato humano, ligo para provedores, assistências técnicas e o que ouço? Máquinas. Gravações estúpidas me fazendo estúpida também. Passo horas apertando a tecla dois, cinco, três e aguardando... Eis que surge um humano (ao menos achei que era), pede todos meus números, telefone, DDD, RG, CPF, pede outras identificações minhas, endereço, modem, Windows, PC.

Com minha paciência quase sobre-humana se esgotando, descubro que é apenas o começo da saga do restauro na conexão. Liga e desliga o PC, clica ali, aciona aqui, muda senha, tenta de novo – e meu amor achando que fora deliberadamente abandonado – e nada. Erro de conexão. Simples assim.

Imagino que você também passou por isso e sabe que não é nada agradável, mas não foi possível “estar providenciando” uma paciência maior para mim.

_ A senhora(não gostei deste “senhora”) pode estar desligando seu computador. Vai estar esperando dois minutos pra estar ligando novamente... Caso o problema ainda não esteja resolvido, a senhora(de novo?) pode estar ligando pra nossa central de diagnóstico avançado que o pessoal vai estar providenciando uma solução (afe!).
_Mas eu tenho urgência! Preciso que funcione logo.
_Estaremos providenciando, minha senhora(agora, além de tudo, ainda sou senhora do atendente).

Entendeu? Uma chatice, né? Para evitar horas de ansiedade, saudade e gerundismo, só mesmo tendo o meu amor por perto.
Acho que era o que o rapaz da Telefonica me diria, caso ele estivesse programado pra isso.

Cada Um Com Seus Problemas

Eu deveria estar triste, mas não tenho vocação para dramas.
Reconheço que a vida é dura, as pessoas são difíceis e a crise é grande. Mas quantas vezes nos acovardamos? Quantas vezes por medo do fracasso, de ouvir um não, de sofrer, nós desistimos ou nem se quer tentamos? Se alguém foi injusto com você é bem provável que você tenha sido fraco. Permitimos ser magoados, não nos defendemos e vemos apenas a culpa do outro.

É tão mais cômodo e seguro ficar no nosso canto, lamentando, do que se expor e arriscar. Ir à luta dá trabalho, é perigoso. Corremos o risco de descobrir que somos nós que estamos errando e não o mundo que é injusto.

Podemos andar, mas na ânsia de voar, ficamos paralisados lamentando por não termos nascidos com asas.

Não tenho mais paciência com os “coitadinhos” e nem tão pouco com super-heróis. Não é mais fácil ser simplesmente humano?

Ontem encontrei uma senhora, velha conhecida da família:
_ Olá! Tudo bem, Dona Lurdes?
_Mais ou menos...

Não é mais ou menos. É menos. Menos simpatia, menos vontade de vê-la novamente, menos paciência pra gente chata.

É um hábito enraizado. Para estas pessoas nunca está tudo bem. Claro, “tudo” nunca está mesmo. Mas e daí? Quem quer saber os detalhes infelizes da nossa vida?

Talvez interesse mais o que fazemos para mudar estas pequenas infelicidades do que o que elas são de fato.

Histórias de superação são incríveis. Passam até no fantástico. Mas gente chata, que só reclama, não faz sucesso nem na fila do SUS.
_ Menina do céu! Estou com uma dor tão forte nas costas!
_ E eu, então? A minha é bem pior.
_ Mas meu colesterol é mais alto. Já passou dos trezentos.
_Tá bom, ganhou. Um a zero.

Não. Não foi um a zero, foi empate. Mas perder legitima o sofrimento da vítima.

Para o sofredor patológico, não basta estar triste. Ele tem que fazer com que todos que estão à sua volta compartilhem da sua dor. O melhor, meu amigo, é se afastar de gente assim.

Carregue no colo, se preciso for, o amigo que passa por um momento difícil. Mas mude de quarteirão se um pessimista crônico quiser destruir o seu dia.

Como eles mesmos diriam: Ninguém merece.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

SAC - Serviço de Atendimento ao Cliente

Caro Cupido,Venho através desta registrar meu profundo desagrado com os serviços prestados à mim. A encomenda que pedi não era esta. A que me enviou veio danificada, com diversas avarias e cheirando a pó.
Quero devolver a mercadoria e peço que me reembolse imediatamente com um artigo melhor.
Sem mais para o momento, agradeço.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Breve Manual da Separação

Capítulo 1 – O início após o fim

O primeiro dia – É a hora da faxina. Jogue fora tudo que é dele, e não tenha dó. Se tiver raiva suficiente, queime peça por peça - alivia. Não atenda telefone, não saia de casa e chore. Chore até ficar inchada, roxa e exausta. Pronto! Agora você consegue dormir.O segundo dia - Primeiro vá a um salão de beleza e depois compre roupas novas. Se não tiver dinheiro, empreste, dê cheque sem fundo, em último caso, roube. Mas saia pra gastar e fique linda.Ps. Hoje pode chorar mais um pouco, mas só de noite.Do terceiro dia em diante – Não derrame mais uma lágrima se quer e jamais cite o nome do seu ex. Use “falecido”, “verme”, “x” ou qualquer coisa assim. Tome muito cuidado com os domingos. Domingo demora e a lembrança dele, certamente, virá assombrar sua casa. Tome um banho de sal grosso e se alegre por não precisar assistir futebol e nem comer aquela pipoca queimada que ele faz. Poderá dormir o dia todo, visitar aqueles amigos que ele nunca gostou, escrever, ler aquele livro que você - por companheirismo - não leu. Enfim, fazer o que você bem entender. Aproveite.


Capítulo 2 - Saindo sozinha


Após semanas, meses e até anos saindo com a mesma pessoa, agora você está só. A primeira coisa a fazer é ligar pra sua amiga mais fofoqueira. Ela saberá quem também está disponível. Escolha uma amiga bem animada e que não seja mais interessante que você, convide-a pra sair. Se possível, tenha sempre um amigo gay por perto, ajuda. Evite lugares para casais e filmes românticos. Nem passe perto dos lugares que seu ex freqüentava, mas se você mora em uma cidade pequena, vai ter que correr este risco. Vá assim mesmo, mas capriche no salto e sorria. Sorria mesmo sem achar graça. Faça novos amigos e não beba demais, provavelmente é você quem voltará dirigindo.


Capítulo 3 – Os curiosos de plantão


Será inevitável a pergunta: cadê fulano?Se a separação foi amigável, diga que não estão mais juntos, que são apenas amigos e puxe rapidamente um outro assunto polêmico, por exemplo, a separação de um outro casal que não esteja presente. Mas se você estiver puta com o seu ex, diga simplesmente que ele morreu. E, por favor, não dê explicações. Jamais se comova com os olhares de pena.


Capítulo 4 – Os novos pretendentes


Sempre que uma mulher se separa, os homens têm um súbito interesse por ela. Não sei se é por curiosidade, se eles acreditam que você está carente, portanto mais vulnerável ou se é só pra provar que é melhor que o amigo, mas o fato é que eles estarão, no mínimo, mais afetuosos.Cuidado. Deixe ser consolada apenas por aqueles mal intencionados.Os bem intencionados, provavelmente, ficarão loucos por você, já que você ainda não está emocionalmente disponível e homens adoram quando uma mulher não está nem aí pra eles.Encontro às escuras são perigosos. Não caia naquele papo de “eu tenho um amigo pra te apresentar que é a sua cara...” Na maioria das vezes ele não tem absolutamente nada a ver com você. Quanto ao orkut, msn e afins, é bom lembrar que imagem não tem cheiro e que, como diria Caetano, de perto ninguém é normal.Aproveite para se curtir e conhecer pessoas interessantes.E não confunda hormônios em ebulição com amor.


Capítulo 5 – Dicas finais


. Cuidado com a mistura de bebida e celular

. Faça festas

. Divirta-se

. Jamais saia de casa sem batom

. Não fale mal do seu ex e evite que as pessoas falem dele(bem ou mal)

. Cuidado com recaídas: “entre dois males, escolha aquele que ainda não experimentou”

· E acima de tudo, não ligue a mínima para manuais desse tipo.